Não é de cinema porque já saiu de cartaz faistempo.
Eu, que já desisti de ser antenada, fui alugar Beowulf ontem e só tinha ouvido falar uma coisa sobre o filme:
- Ah! Beowulf? É computação gráfica pura, mas acho que você vai gostar.

Aí tava imaginando tipo um “Senhor dos Anéis”, cheio de efeitos especiais, e tals.
Filme pra dar certo comigo tem receita: Idade Média + cavalos + herói cabeludo com uma espada (ou um machado, ou arco e flecha, ou as três coisas). Esse eu já sabia ser medieval, dava pra supor que tinha cavalos, e na capa (essa aí em cima) dava pra ver que o herói era cabeludo. Também tinha escrito, em letras garrafais e amigáveis, a frase: “Eu matarei o seu monstro”. Tendi nada, mas lendo isso com a foto desse loirão aí fazendo cara de mau, só pude pensar: “U-hu! Então vem, neném!” Mais tarde eu descobri que o comentário sobre “computação gráfica pura” era no sentido purista da coisa, e que o loirão em questão era na verdade “interpretado” por Ray Winstone, um velho caquético, careca e barrigudo:

Chuta que é macumba!
Descobri também o motivo da frase na capa: de cada 10 falas do herói no início do filme, 9 eram “I will kill your maunstar!”. A 10ª era “I am Beowulf.” Muitíssimo eloqüente, o protagoista.
Mas enfim, o filme é uma daquelas más adaptações pseudo-históricas de lendas pré-cristãs com um recheio extra de testosterona, seguindo a linha de it’s raining 300 men. Só que ao invés de chamar Raul, em Beowulf, os pitboys chamam um tal de Reial. Na verdade, talvez eles estivessem chamando o Raul mesmo, acho que era o sotaque.
Não entendi o que eles queriam provar transformando um herói antigo em um idiota, mas interessante e sem sentido mesmo, era a obsessão dos criadores em colocar os personagens pelados nos momentos mais desnecessários possíveis (quando a Angelina Jolie apareceu assim, eu podia jurar que ela ia começar a sambar ao som de “na tela da tv, no meio deeeeeeesse povo…”). Resumindo, o filme todo parece obra de quem está passando pela crise da meia-idade, Neil Gaiman deve estar com problemas…
Lamento profundamente não ter assistido em 3D. Deve ter sido divertido, com todos aqueles monstros pulando na tela, mas lamento muito mais (mais que as cenas de nudez desnecessárias, mais que a barriga do Ray Winstone fora da computação gráfica e mais que a má adaptação do roteiro) um furo terrível e imperdoável que eles deixaram passar: em um dado momento, o herói estava se estibunchando, se esticando todo, literalmente se descojuntando para alcançar uma coisa com a ponta da espada. Quando ele desastrosamente deixa a espada cair, perdendo-a, tenta mais uma vez e consegue alcançar a coisa só com a mão… unbelieveble… Acredito que era uma metáfora pra dizer que todo homem cresce ao passar pela experiência de ver sua espada cair.
Yeah, wathever, só escrevi esse post mesmo pra fazer a piadinha da “espada cair” perguntar uma coisa: se eu fizer escova inteligente, meu cabelo vai se mexer como o da Angelina Jolie?