Penny Lane Blog

Entradas do Junho 2008

Musicalidade

Junho 30, 2008 · 3 Comentários

pennywhistle

14:30h:

  • Penny Lane feliz igual pinto no lixo quando recebe pelo correio a Penny Whistle que encomendou pela internet.

14:35h:

  • Penny é forçada pela Whistle a lembrar-se, da pior forma possível, de que nunca conseguiu aprender a tocar flauta, como todos os outros instrumentos que já quase tocou.

14:50h:

  • Penny com vontade de jogar a Penny Whistle pela janela.
  • Família e vizinhos com vontade de jogar a Penny e a Whistle pela janela.

Categorias: A vida comelaé

Coerência alimentar

Junho 20, 2008 · 6 Comentários

O Kadu me elogiou no blog dele e eu fui lá ver o texto toda boba, porque bobeira é o meu forte mesmo. Aproveitei pra ler os outros textos também e achei um que ia comentar, mas como não perco oportunidade de encher linguiça aqui o comentário tava ficando grande, decidi fazer um post. Eis o texto:

[Frases] É descobri que Deus é sábio!

Eu nunca acreditei muito em Deus e nos dogmas religiosos, mas depois de ver esta frase comecei a rever alguns conceitos.
Deus é bem mais sábio do que imaginei!

“Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação” – Levítico 18:22

Ou seja, deus é contra a viadagemo homossexualismo, cara esperto!

Olha, eu entendo dessas coisas menos ainda que o Kadu, mas depois que publiquei o meu incidente com um judeu e uns pasteizinhos de porco, a Lorena, sempre muito atenta e culta, me deu uma aulinha sobre crenças abraãmicas, tentando me explicar porque judeus não podem comer certos alimentos. To comentando isso porque o que ela leu pra me explicar foi exatamente um texto do mesmo Levítico da bíblia dos católicos (nem sei se tem diferença de religião pra religião) e ele usa da mesma coerência em ambas as proibições. Nunca vou me esquecer desse nome – Levítico – porque fiquei me perguntando se tinha algo a ver com levitação ou se consistia em uma forma arcaica de artigo de revista feminina ensinando a ter uma “alimentação leve”.

Aí que o tal do Levítico, além de falar que homem que é homem, não come outro homem, como aponta o Kadu, diz também que não pode comer porco, nem camelo (alguém aí já comeu um camelo?) e nem lebre, porque a regra é clara: animais que têm a unha fedida fendida e não ruminam, ou que ruminam e não têm a unha fendida, são impuros e imundos. Se ele ruminar e também tiver unha fendida, aí tá beleza, pode comer sem peso na consciência que é limpinho. Finalmente descobri porque algumas fêmeas – principalmente as humanas, que não ruminam – ficam tão desesperadas ao fender uma unha. Por isso, se você é cristão, ou judeu, ou muçulmano, nunca se esqueça de levar seu(a) parceiro(a) para jantar e de verificar as unhas dele(a) antes de partir pra fight.

Mas não é só isso: depois dessa definição para mamíferos, Levítico segue com uma série de proibições, igualmente coerentes, para animais aquáticos, aves, insetos e anfíbios, que me fizeram pensar que o cara só pode ser o precursor da cultura vegan. A galera do PETA deve adorar ele.

Fiquei ruminando refletindo sobre a lógica dessas regras e cheguei à conclusão de que isso só pode ser mesmo fruto de uma mente superior e que não adianta tentar entender, pois está além da minha capacidade de compreensão. Acabei chegando a esta conclusão enquanto brigava com meus cachorros, que parecem incapazes de compreender a lógica por trás das regras alimentares que imponho a eles:

- Frida, o que você tá comendo aí? É cocô? Ah tá, soldadinho de plástico pode comer, ração e terra também, mas cocô não pode! É imundo!

- Ringo, não pode pegar papel higiênico da lixeira! É imundo! Pega o do rolo que tá limpinho.

- Ei, devolve o meu sapato agora, seu estrupício! Não pode! Come o Adidas do Renan, esse pode comer.

UPDATE: Antes que alguém venha me criticar e dizer que vou pro inferno, dá uma lidinha lá no Levítico pra se certificar de que está tendo uma alimentação correta – também é proibido o consumo de cerveja e vinho, mas acho que a vodka é liberada – e certifique-se também de que seu cordeiro, seu bezerro e seu bode foram queimados corretamente sobre o altar, segundo as instruções de sacrifício. Se eu vou, vamos todos nos encontrar lá…

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Mundo animal

Junho 18, 2008 · 3 Comentários

gato

- Cara, esse gato tem problema…

- Sim, ele é vesgo.

- Não, não é só isso. Ele tem problemas psicológicos.

- Cuida dele então, uai.

- Eu to tentando, né?! Mas digamos que animais fóbicos não são lá minha especialidade… Poxa… fico incomodada com ele… Isso é muito triste… Como é que pode uma criatura passar o dia inteiro escondida em uma gaveta, sem querer sair, sem querer ver o mundo?

- Penny, você também vive em uma gaveta. Só que a sua é um pouquinho maior.

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Sobre ponto de vista

Junho 15, 2008 · 11 Comentários

- Filha, você não tem vergonha de sair de casa com essa juba não? Vou começar a te chamar de Simba pra ver se você toma vergonha e vai num salão.

-É, eu sei, tá tenso… to querendo ir mesmo…

- Querendo ir, Penny? Olha no espelho! Você tá igual o Ringo!

Ringo

(Ringo)

Cerca de 40 minutos depois, passando em frente à construção:

- Nossa, princesa! Que cabelos lindos! Barra até Gisele Bundchen!

Gisele

(Gisele)

Tipo, to até agora sem saber se o cara era cego, doido, ou se estava treinando a nova figura de linguagem que aprendeu: ironia.

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Narnia a declarar

Junho 14, 2008 · 2 Comentários

Acho que depois que saí da capitarrr comecei a me especializar em filme ruim…

Aí que, como eu não tinha Narnia melhor pra fazer, me rendi à sedução do cartaz vontade de ver filmes infantis e fui ao cinema assistir o Príncipe Caspian. É, eu fui só pra ver o tal do Caspian mesmo, até porque o outro único filme que tava em cartaz aqui na roça era o do Indy, e a entrada é cara pra ficar vendo reprise no cinema. Levei uma priminha a tiracolo pra não passar vergonha na fila de filme pra criança (como sempre faço pra ver Harry Potter e filmes da Disney), comprei pipoca, refrigerante, me enchi de coragem e lá fomos nós numa viagem emocionante a um mundo mágico com uma galerinha do barulho </sessão da tarde>.

O filme é bem melhor que o primeiro. Os animais estão menos toscos (eu disse menos, o que não significa que não estão toscos), a historinha tá mais legal, mesma coisa, pra falar a verdade, mas tá mais legal. Quem me conhece mesmo, sabe que esse tipo de comentário vindo de mim não significa nada, já que com herói cabeludo montado em cavalo, o filme pode ser a merda que for que eu vou achar ótimo. Mas o que importa é que Ray Winstone desta vez não estava lá.

O melhor de tudo mesmo (depois do Ben Barnes – já até aprendi o nome do cara) é que, sem saber, fui em uma sessão dublada. Filme pra criança, né… tava esperando o quê? Acho fantástico essa coisa de dublagem no Brasil. Não que eu saiba como é em outros países, mas aqui é uma maravilha! Além da qualidade terrível do som, no caso de Narnia, por exemplo, o diretor se esforça tanto pra escolher atores mexicanos, italianos e espanhois para caracterizar diferentes etnias, o protagonista força tanto um sotaque espanhol com igual propósito, e vem a galera da dublagem tacando um “carioquês” na geral sem piedade. Muito rico, o trabalho.

O que importa mesmo é que mal posso esperar pelo Natal pra escrever minha cartinha:

“Querido Papai Noel,

Fui uma boa menina durante todo o ano. Me comportei de maneira exemplar. Agora chegou a hora de ser devidamente recompensada. Neste ano, não vou querer uma bicicleta, nem uma boneca Barbie. Como fui muito mais boazinha que em anos anteriores, neste Natal eu mereço um brinquedo assim ó:

Certa de que serei atendida,

Penny”

PS: Tá vendo, Lorena? Dessa vez não é computação gráfica!

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Dica de locadora: um leãozinho, uma branquela feia e um guarda-roupas

Junho 10, 2008 · 3 Comentários

Um amigo me chamou pra ir ao cinema assistir o segundo filme das Crônicas de Narnia neste fim de semana e, como eu não tinha assistido o primeiro, e eu sei que não dá pra sentar na janelinha quando a gente pega o bonde andando, tive que recusar o convite e ir ao “plano B”, que consistia numa peça chula de teatro.

Sempre gosto de ler o livro antes de ver o filme nessas adaptações, por isso não fui ver o “Caçador de Bibas” até hoje de nem sei quando vou ver, já qeu não consigo terminar de ler. Mas me toquei de que com a quantidade de livro que tenho pra ler, acabaria não vendo narnia nenhuma por uns bons anos se não abrisse mão desse hábito.

Aluguei então o filme 1 hoje, pra poder ver o filme 2 no cinema amanhã e … ãhn… heim?!? É isso? Tipo, onde foi que eles gastaram aqueles milhões da produção? Com o elenco é que não foi, com os efeitos especiais, menos ainda. Seria o suficiente se eles, pelo menos, se tocassem de que eu não preciso ficar pensando que aquelas paisagens todas são, na verdade, um fundo azul (ou verde, whatever…) enquanto assisto o filme.

As cenas de batalha então, uma baderna só! Anão chutando a canela de centauro, criança correndo e gritando… Custava contratar alguém pra ensinar os moleques e as criaturas mitológicas a se portarem em uma guerra?

Oi? Isso não é uma arma de fogo, amigo, é uma espada. Você pode até estar em um mundo mágico, mas não adianta apontar ela desse jeito porque ela não vai fazer “bum” no Lobo Mau.

Aliás, o Lobo Mau, assim como a Chapeuzinho Vermelho Bruxa Malvada e o Rei Leão estavam assustadores! Assustadoramente mal-produzidos!

Enfim, nada de grandes emoções, nada de inovações, nada de surpresas. A única surpresa mesmo ficou por conta de encontrar um nome muito familiar nos créditos do final do filme:

ray winstone

Chuta! Definitivamente, é macumba!

Juro que se encontrar ele no próximo filme que assistir, vou começar a ter pensamentos paranóicos. Mas parece que a computação gráfica foi mais fiel à realidade desta vez do que em Beowulf. Em Narnia ele era esse cara aqui ó:

- I will kill your ‘maunstar‘!

Se eu desisti de ver o filme 2 por conta de toda essa tosqueira? Maneeeiinmoooooorta! Saca só o cabeludo com a espada no cartaz de divulgação:

Ok, isso é muito feio da minha parte, eu sei. Esse moleque aí poderia ser meu filho. Deve ser crise da meia-idade, vou desistir do cinema e alugar Beowulf de novo.

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Sobre planejamento familiar

Junho 9, 2008 · 3 Comentários

Acompanhando o caso matematicamente:

Residência dos meus pais em Janeiro de 2008: 03 moradores – todos da espécie homo non sapiens.

Residência dos meus pais em Junho de 2008: 08 (OITOOOO!!!!) moradores – 04 homo non sapiens, 02 Canis lupus familiaris e 02 Felis silvestris catus

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She tried to make them go to rehab. I said no, no, no*

Junho 9, 2008 · 2 Comentários

Ela era formada por uma Universidade Federal em um daqueles cursos taxados como “curso de maluco”. Era frequentadora assídua de festividades e encontros de estudantes, daqueles que as pessoas diziam que “só dá maluco”. Preferia não se entorpecer com drogas ilícitas, apesar de estar cercada por pessoas que o faziam. Entretanto, bebia agressivamente em todas as festividades e reuniões de amigos a que comparecia. Depois de uma dessas reuniões, acordou para encarar um dia entediante de trabalho na cidadezinha do interior em que fora contratada há pouco tempo.

Lá chegando, encontrou uma convocação para comparecer, a trabalho, a uma tarde agradável de audiências de crimes de porte ilegal de drogas com a Juíza da cidade. Sem entender o que faria lá, e com preguiça de tentar entender qualquer coisa com aquela dor de cabeça e aquele gosto de guarda-chuva na boca, encaminhou-se ao Fórum.

Ao chegar, foi barrada e insultada na portaria pelo guarda que, sabe-se lá por que (pelas roupas urbano-alternativas, pela cara de alcóolatra sono, pelo jeito entorpecido distraído de andar…), a confundiu com um dos acusados. Depois de esclarecer a situação, de ouvir as desculpas incrédulas e assustadas do guarda e de passar em poucos segundos de “garota” a “Senhora”, foi encaminhada à audiência para se deparar com as, igualmente incrédulas e assustadas, boas-vindas da Juíza, descobrindo que fora convocada para dar suporte técnico ao “sabão” moralista que esta pretendia passar nos acusados.

Pânico.

Sabia que não conseguiria responder a esta demanda. Não conseguiria elaborar um discurso moralista do nada. Não depois de passar a noite anterior de forma nada moralista, bebendo exageradamente na companhia de pessoas também nada moralistas. Respirou fundo e convenceu-se de que conseguiria elaborar algo a partir do que a juíza dissesse, não havia motivo para pânico. Seria fácil… Sim, seria… Não fosse o Gerador de Improbabilidade Infinita que estava ligado naquele Fórum, seria.

O primeiro caso, assim como quase todos os outros, era de posse de um cigarro de maconha. A porta abre e entra o acusado. Ela olha nos olhos dele, ele nos dela. O improvável: ela o reconhece. O infinitamente improvável: pelo risinho contido nos lábios dele ao vê-la, pôde perceber que ele também a reconhecia. Vêm à mente a lembrança daquela festinha na universidade onde ela, bêbada, topeça e derrama cerveja nele.

Tinha vontade de se transformar em um avestruz. Tinha vontade de desaparecer dali. Infelizmente, sabia que aquilo não era um filme do Harry Potter e que, mesmo que fosse, e que a cerveja em questão fosse amanteigada, o guarda mau-humorado não teria deixado ela entrar com uma varinha naquele Fórum. Não adiantava chorar pela cerveja derramada, então, tentou fazer o que pôde.

Meio que por conta da falta de hábito em defender esse tipo de causa, meio que por conta da certeza de que o acusado não levaria uma palavra sequer de sua fala moralista a sério, seu discurso saiu quase como se dissesse que não tinha nada de errado no cigarrinho de maconha do garoto. Depois dessa, e de mais duas audiências onde sugerira à Juíza que não havia motivos para mandar os acusados para a reabilitação e que só uma advertência já seria o suficiente, teve que ouvir a seguinte pergunta:

_ Dra., a Senhora faz uso de drogas?

Achou aquilo tudo tão idiota que quase respondeu:

“Claro! A Senhora não?”

- Claro que não!- Respondeu, contendo-se.

Foi informada que o próximo acusado era de sua cidade natal e que alegava não ser usuário, apenas estar no mesmo carro, de carona, com alguém que portava a droga.

Mais pânico.

Temia ver entrar outro conhecido por aquela porta. Mas felizmente era um estranho que, pelo menos que ela se recordasse, nunca havia a visto bêbada. Divertiu-se com o pensamento de que, se a audiência fosse com a pessoa que efetivamente portava a droga, provavelmente o reconheceria.

Lembrou-se de todas as vezes que pegava carona com aquele seu amigo “da tribo da paz”, e no risco que correu nesses episódios sem se dar conta. É lógico que ela tinha motivos para acreditar na história do garoto. A Juíza não.

Por um instante achou que estivesse de frete para sua avó que dizia: “quem com porcos anda, farelo come”. A Juíza era impassível ao afirmar que quem é pego junto à alguém com porte de droga, invariavelmente também faz uso e, sendo assim, também precisa de reabilitação (?!?), mas o garoto acabou saindo de lá também apenas com uma advertência.

Ao fim daquela agradável tarde, despediu-se da autoridade legal que, com um olhar severo, dava a certeza de que, se ela a convocasse novamente, seria para se sentar do outro lado da mesa. Sentia-se idiota com este pensamento, mas não saía de sua cabeça que a próxima carona que pegasse, dependendo das circunstâncias, seria direto para a reabilitação.

- But I won’t go, go, go!

Para ler ouvindo.

*A história acima é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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Glamour

Junho 6, 2008 · 4 Comentários

- Eu devia mesmo ter feito medicina… por que eu escolhi ser pobre?
- Ah, Penny! Médicos têm dinheiro, mas eles não são felizes! Pensa bem, você pode não ter grana, mas você tem seu glamour!
- …
- Penny? Que foi?
- Nada, só tava lembrando do meu glamour de ontem, quando voltava do trabalho e o ônibus quebrou no meio de uma roça… tava anoitecendo, nenhum celular tinha sinal, até por quê, quem iria usar celular em um lugar onde só vivem cabras? O cobrador subiu num morro pra tentar telefonar e pedir ajuda, mas voltou cheio de mato grudado na calça e fedendo bosta de vaca, muito glamour da parte dele também… A minha “sorte” é que passou um ônibus de estudantes da roça indo pra faculdade… pré-adolescente é tudamermacoisa em qualquer lugar do planeta, né? Então, na roça eles também são daquele jeito. Imagina um monte deles usando o flash da câmera fotográfica para simular jogo de luz de boate e gritando: “DESCE! DESCE! DESCE GLAMOUROSAAAAA!” Tem que ter disposição…

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