Penny Lane Blog

Entradas do Julho 2008

Sorriso

Julho 30, 2008 · 3 Comentários

Quando entrei nesse meu último emprego, a primeira coisa que minha chefe conversou comigo foi a respeito da importância de sempre manter um sorriso largo no rosto para atender as pessoas.

- Bom dia! (sorriso largo no rosto)

- Bom dia, minha flor! A gerente está aí?

- Não, ela não está. É só com ela? (sorriso largo no rosto)

- Não, não é nada importante não, eu só queria dar “bom dia” pra ela.

- Ah sim! Amanhã de manhã ela estará aqui, aí o senhor fala com ela. (sorriso largo no rosto)

- Tá bom então! Um bom dia pra você, que deus te abençoe e que você continue sempre com esse sorriso de “Getúlio-Vargas-quando-sobe-no-palanque” no rosto.

Sorriso de “Getúlio-Vargas-quando-sobe-no-palanque”

- Ah…tá… (sorriso já não tão largo no rosto)

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Mais dica de locadora

Julho 26, 2008 · 1 Comentário

Eu ia até escrever sobre Batman uns dias atrás, mas o Te dou um dado? já fez a piadinha que eu queria fazer, então vamos para as coisas que sairam de cartaz faistempo.

O orkut me disse ontem:

Sorte de hoje: Você é uma pessoa culta

Aí eu decidi assistir Rambo IV pra mostrar que sou muito culta mesmo e, oi? Tintura de cabelo a gente até engole, mas naoooonde que ele conseguiu uma aplicação de botox em uma aldeia tailandesa?

Ser ou não ser?

A Tailândia vai começar a exportar cobras para a indústria estética mundial.

Recaptulando:


Mel, aguardamos seu retorno, mas vai vir com qual primeiro?

UPDATE: Odeio acertar imagens no WordPress…

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Guia de administração de remédios em cães

Julho 10, 2008 · 4 Comentários

Antes que alguém reclame que isso aqui tá virando um petblog, eu gostaria de esclarecer que meu círculo social atualmente se resume a dois cães e dois gatos.

Como fazer seu husky siberiano tomar um comprimido de vermífugo:

1 – Coloque o comprimido escondido em um pedaço de pão e dê para o cachorro.

Como fazer seu vira-lata tomar um comprimido de vermífugo:

1 – Coloque o comprimido escondido em um pedaço de pão e dê para o cachorro.

2 – Pegue o comprimido que o cachorro deixou no chão, coloque no meio de um pedaço de carne e dê para o cachorro.

3 – Pegue novamente o comprimido do chão, jogue-o fora. Pegue um novo comprimido na caixa e dissolva-o em um recipiente com água. Coloque o conteúdo em uma seringa sem agulha e introduza pela lateral da boca de seu cachorro quando ele estiver dormindo.

4 – Recolha o que restou da seringa, limpe o chão e replante o bonsai que o cachorro derrubou em seu trajeto desesperado de fuga. Pegue um novo comprimido na caixa. Segure o cachorro com seu braço esquerdo. Com a mão direita você posiciona o dedo indicador e o polegar em cada canto da boca do cão e pressiona para que ele abra. Introduza rapidamente o comprimido e feche a boca dele segurando o focinho por cerca de 10 minutos.

5 – Pegue o comprimido do chão e jogue-o fora. Vá ao banheiro e lave as perfurações da mordida em seus dedos com água e sabão. Tire as manchas de sangue da camisa com água morna e sabão. Peça ajuda a sua mãe e seu irmão. Pegue um novo comprimido na caixa. Peça a sua mãe que segure o corpo do cachorro com o braço esquerdo e a cabeça com o direito. Amarre as patas dianteiras e traseiras com uma corda de varal. Coloque luvas de tecido bem grosso para proteger as mãos. Enquanto sua mãe ainda segura o animal amarrado, posicione sua mão direita no maxilar inferior do cão puxando-o para baixo e a mão esquerda no superior puxando para cima. Peça para seu irmão jogar o comprimido dentro da boca aberta e feche-a imediatamente, certificando-se de tirar todos os dedos de dentro antes, e segure para mantê-la fechada por pelo menos 10 minutos.

6 – Faça um curativo no braço de sua mãe e outro no pescoço de seu irmão, retirando os fragmentos do comprimido das feridas abertas. Leia a bula do remédio para saber se faz mal a humanos quando introduzidos sob a pele. Pegue o último comprimido da caixa. Peça ajuda a seu pai, sua avó, sua tia e sua cunhada. Enquanto seu pai segura o corpo do animal, sua mãe segura as patas traseiras, sua avó as dianteiras, sua cunhada a cabeça e você abre a boca do cachorro com o auxílio de um pé-de-cabra. Peça a sua tia que acerte o remédio dentro da boca do animal com um estilingue.

7 – Leve todos para um pronto-socorro, com exceção do cachorro. Deixe o médico dar pontos nas feridas abertas e tirar o comprimido de dentro do seu olho. Jogue no lixo os óculos quebrados de sua avó, o que restou da mesinha de centro da sala, do aparelho de DVD e da TV e compre tudo novamente no dia seguinte. Desista do vermífugo acostumando-se com a idéia de que seu cachorro ama as lombrigas que carrega e convive muito bem com elas. Você vai aprender a amá-las também.

Como fazer seu vira-lata tomar sua cartela inteira de amoxilina 500 mg de uma só vez:

1 – Esqueça sua bolsa, com a cartela dentro, em cima do sofá enquanto atende o telefone.

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Psicologia canina

Julho 8, 2008 · 5 Comentários

Se tem uma coisa que odeio em cachorros pequenos é a mania de latir ininterruptamente pra tudo o que se move ou para tudo o que eles imaginam que se move ou não. Tenho um ódio particularmente grande dos poodles e dos pinchers, e sempre preferi criar huskys siberianos lindos, grandões e calados. Isto, até o dia em que as forças que regem o Universo decidiram castigar meu racismo canino com a triste morte de todos os meus amados huskys e a adoção, por parte de meu pai, de um casal de irmãos vira-latas de linhagem um tanto quanto inusitada: filhos de uma puta poodle e de um fox paulistinha. Frida e Ringo são seus nomes, para que fique bem claro que os dois são muito belos.

arnold e danny gêmeos

Danny DeVito e Arnold Schwarzenegger: irmãos gêmeos

Ringo e Frida: irmãos gêmeos

Se você imaginou que algo que saia metade poodle, metade fox seja, no mínimo, muito barulhento e irritante, está absolutamente certo. Na verdade acredito que as forças que regem o Universo intentavam presentear-me com uma mistura de pincher com poodle, mas o pincher escolhido no momento cru(s/c)ial devia estar ocupado latindo para alguma coisa, atrapalhando os planos.

Ontem eu estava com a mais puta das dores de cabeça, daquelas que não passam por nada, que fazem qualquer ruído, por mínimo que seja, explodir uma bomba atômica dentro de sua caixa craniana. Foi quando Frida decidiu mostrar o valor de sua herança genética: começou a latir insandecida e ininterrupitamente dentro da cozinha. Fui até lá e briguei com ela. Não adiantou. Briguei novamente. Ela deitou-se no chão com as perninhas abertas, mas foi só virar as costas que começou a estourar mais bombas em minha cabeça. Sentia tudo estremecendo a cada latido, a pressão saindo de meus ouvidos, a tonteira insuportável, a sensação nítida de que estava começando a ficar surda, o que misteriosa e surpreendentemente me deixava feliz naquele momento.

Coloquei a semi-poodle insandecida na varanda junto a seu pote de ração, achando que tinha fome, mas ela voltava para a cozinha a latir. Olhei ao redor e tudo estava justamente como deveria estar. Verifiquei embaixo do fogão, dentro do armário, atrás da geladeira, mas nem sinal de qualquer coisa (rato, gato, bicho-papão) anormal. Coloquei-a novamente na varanda e fechei a porta da cozinha. Ela disparou como um foguete ladrante, dando a volta e entrando novamente pela sala. Coloquei-a do lado de fora e fechei também a porta da sala, mas ela continuava a mostrar que seus pulmões são dígnos de campeões olímpicos de natação. Peguei o rolo de jornal, ferramenta de instrução canina, e a ameacei. Não adiantou. Bati com o rolo de jornal, o que também não teve efeito. Outras pessoas tentaram persuadir a semi-poodle desvairada a calar a matraca, o que foi igualmente ineficaz. Ela parecia decidida a me matar naquele dia. Já vislumbrava meu atestado de óbito escrito “ataque canino por excesso de sonorização rítmica elevada”. Só não entedia a motivação do homicídio e a cada momento que passava, estava menos disposta a entender.

Já somavam-se cerca de duas horas e meia de explosões atômicas ladrantes em minha cabeça, quando decidi trancá-la no banheiro (a cachorra, não a cabeça). Fiquei com pena e tirei-a de lá em menos de 2 minutos, ao que ela saiu em disparada com sua demosntração de potência vocal. Decidi levá-la como presente de grego para a casa de minha tia, no andar de baixo, que adora a semi-poodle, com a esperança de que lá ela esquecesse o motivo do escândalo. Chegando lá ela não latia, mas recusava-se a ficar, correndo de um lado para o outro e tentando fugir de todas as formas, como se sua vida dependesse de escapar para o andar de cima e latir até a morte (minha ou dela). Cerca de 10 minutos depois, eis que ela escapa e volta a latir em sua tentativa de homicídio cruel. Chorei, esperneei, argumentei, esbravejei, gritei, bati com o jornal, me descabelei, enfim, cheguei ao ponto de parecer mais desvairada que a cachorra. Ela conseguira seu intento: deixou-me louca. Estava a ponto de bater nela com o chinelo pois já faziam mais de 4 horas de latidos agudos e ininterruptos ressoando nos azulejos da cozinha e nas placas ósseas de meu crânio. Foi quando minha mãe chegou do trabalho e olhou para a cena: eu estirada no chão, descabelada, coberta por lágrimas e com uma caixa de dorflex na mão, Frida latindo sem parar a olhar para o nada.

- Que foi Frida? Papai deixou a sacola de supermercado em cima da pia? Quanta bagunça, né? Pronto! Tá vendo? Já guardei!

O bombardeio cessa subitamente, Frida abana o rabinho e vai para sua almofada dormir. E foi assim que descobri que minha cachorra sofre de TOC.

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C’est la vie

Julho 3, 2008 · 8 Comentários

Hoje acordei de mau humor porque a vida insiste em não ser perfeita. Tipo, ela poderia ser como uma eterna festa de formatura no Le Buffet: Todos bonitos, bêbados, empanturrados de comida japonesa e dizendo: “Po, eu te amo, cara! De verdade!” pra todo mundo. Mas não. Ela é um produto com defeitos de fabricação irremediáveis, cheia comida ruim e pessoas feias e sóbrias que gostam de falar coisas desagradáveis, porque também estão insatisfeitas com seus produtos. Me sinto enganada e ferida em meus direitos pelo fabricante e quero saber onde foi parar a maldita embalagem com o telefone do SAC pra eu reclamar. Quero meu dinheiro de volta, e quero agora! Se eu pego o responsável por isso é bom ele ter plano de saúde e seguro de vida. Ops… seguro de vida? De que tipo de vida? Dessa mesma com defeitos de fabricação irremediáveis que eu tenho? Hum… Acho que ele não iria adquirir uma…

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Inveja

Julho 3, 2008 · 2 Comentários

Sempre invejei, mesmo que sem querer, uma amiga que tinha um emprego razoável na cidade que eu amo. Hoje ela me ligou dizendo que foi demitida sem aviso prévio. Eu, que sou funcionária efetiva de um município révi razoável, decidi nunca mais invejar ninguém.

Pensando bem… acho que vou descobrir qual o atual emprego da baranga parruda e burra que roubou meu sorvete na saída da escola quando eu estava na segunda série e sentir inveja dela…

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