Penny Lane Blog

Entradas do Setembro 2008

Quando a luz dos olhos teus assusta os olhos meus é de arrepiar…

Setembro 30, 2008 · 3 Comentários

Meu conceito de Rio de Janeiro é formado pelas novelas de Manoel Carlos, tanto que até pouco tempo eu achava que lá só existia o Leblon e as comunidades do núcleo pobre da cidade. Foi por isso que quando fui ao Rio visitar Pedro e Lorena, no ano passado, fiz questão de passear pelo Leblon acompanhada dos dois cantando o tema de abertuda de Mulheres Apaixonadas.

Dessa vez eu fui novamente visitar o Pedro e resolvi ir além nos cenários de novela. Fui passear onde todas as tramas do Maneco terminam: no Parque Jardim Botânico. Abro aqui um parêntese pra dizer que Pedro é a criatura mais sociável do mundo. Ele tem a capacidade de conversar com todo e qualquer ser falante, ou não, que encontra pelo caminho. Nesse dia então, ele estava exaltado, conversava até com os peixes do laguinho, e graças a isso conhecemos várias pessoas, entre visitantes e trabalhadores do parque. Fecha aqui o parêntese.

Aí que andando pra lá, passeando pra cá, tirando foto aqui e ali, deparamo-nos com uma cena bucólica, digna de final de novela da Globo: duas “senhôuras” de chapéu, sentadas num banco no parque embaixo de uma árvore com um bebê. A cena era realmente bonita: os chapéus eram de tons claros, assim como as roupas, e casavam muito bem com o banco, as árvores e o bebê. Falando assim parece não ter nada demais, mas a cena era tão bonita, tão fim de novela, que Pedro queria tirar uma foto, ou mesmo pedir os chapéus e o bebê emprestados para tirar uma foto nossa na mesma cena.

Meu bom-senso, claro, fez eu recusar-me terminantemente a bater a foto das “senhôuras” e eternizar a cena, porque vai que elas não gostassem? Completa idéia de jirico essa… Mas concordei que pedir os chapéus e o bebê emprestados pra tirar uma foto nossa era genial!

Fomos em direção às damas de chapéu, contando com a simpatia e comunicabilidade de Pedro, com câmera fotográfica em punho, já estudando a iluminação, quando uma delas levantou os olhos e pudemos ver para além do chapéu. Por um momento tive o vislumbre mitológico de um basilisco enfurecido tentando me matar, mas segundos depois, percebi que não estava morta e, portanto, não se tratava de um basilisco, mas sim de ninguém menos que Fernanda Torres, acompanhada de seu filhinho e de sua mamãe, Fernanda Montenegro.

Véi, a Fernanda Montenegro estava na minha frente, e eu… passei. Desviei e passei por elas na maior, sem nem falar um “oi” e agradecendo por estar viva, porque a Fernanda Torres olhou pra gente com uma cara tão feia, mas tão feia, não que eu já tivesse achado a cara dela bonita alguma vez, mas o olhar foi tão maléfico, que se olhar matasse fora da mitologia eu não estaria aqui para escrever essas linhas. Parafraseando Regina Duarte: “Tenho medo!”

Meu grande arrependimento foi de não ter chegado perto dela e soltado com cara de desdém:

- Ah! É você? Deixa pra lá então…

Porque, oi? Foto sua com esse chapéu é o que não falta no Google Imagens.

Conversa após o olhar:

- Puxa, Penny, que medo! O pior é que eu gostava da Fernanda Torres. Ela parecia tão simpática pela TV…

- Pedro, com exceção da Luana Piovani e da Carolina Dieckmann, todo mundo parece simpático pela TV.

Pra ler ouvindo.

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Sobre lógica

Setembro 24, 2008 · 3 Comentários

- Ringo, deixa o Fred beber água em paz! Cachorro atentado! Olha só que perturbação, Penny, tem lógica você beber água com alguém lambendo sua bunda?

Agora imaginem a minha cara ao escutar da minha mãe somente a última frase. Tem lógica?

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Poll Ha’Penny!

Setembro 19, 2008 · Deixe um comentário

Quem me conhece sabe que eu adoro música tradicional irlandesa. Quem me conhece mesmo sabe que, além de adorar música tradicional irlandesa, eu tenho uma penny whistle, que é uma daquelas flautinhas irlandesas de latão. Quem me conhece e mora ou trabalha em um raio de 1 km da minha casa, sabe também que estou aprendendo a tocar musica tradicional irlandesa na penny whistle.

Aí que essa semana eu decidi que já estou tocando suficientemente bem pra começar a aprender minha música preferida dentre as músicas irlandesas que escuto: Garraí na Bhfeileoig. Depois de muito penar tentando tirar a música de ouvido, descobri esse site super-bacana que, além de me ajudar a aprender a música, me mostrou que ela é conhecida por outro nome e que, na verdade, é supreendentemente muito mais popular do que eu, em minha pobre ignorância, imaginava! Todas as pessoas aqui em casa já pareciam conhecer essa música por seu outro nome, só que eu não entendia quando eles me passavam essa informação toda vez que eu começava a tocar:

- POLL HA’PENNY! DE NOVO?!

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Merda

Setembro 16, 2008 · Deixe um comentário

Fonte.

Ok, eu sabia que nunca ia conseguir ver eles tocando juntos novamente, mas dava pra alimentar esperanças pelo menos, né? É sempre bom acreditar que é possível, ter sonhos, pensamento positivo, essas coisas. Mas agora eu vou ter esperança de ve-los juntos como? Numa sessão espírita? Num terreiro de candomblé? Preciso de outro objetivo de vida…

Categorias: Música
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Mas os meus cabelos… continuam os mesmos, obrigada!

Setembro 12, 2008 · 3 Comentários

Eu simpatizo com a revolta da Márcia contra a ditadura dos cabelos lisos, não porque eu não goste de cabelo liso, eu só não gosto daquele efeito “escova de chocolate/baunilha/abacaxi/feijoada/macarrão-com-almôndegas/whatever” que está literalmente fazendo a cabeça da mulherada. Explico: saca as pontas dos cabelos de quem faz essas coisas? Elas ficam retas. Elas não ficam lisas, ficam retas. Não sei por que diabos as pessoas passaram a acreditar que isso é bonito.

Não estou fazendo campanha de orgulho afro pra dizer que cabelos cacheados rules e cabelo liso é horrível, longe de mim. O que me incomoda nisso tudo é que o bonito para a mulher moderna não é o cabelo liso, é o cabelo espichado com as pontas retas. Não lisas, retas. Digo isso porque vejo amigas que sempre tiveram cabelos lisos, naturalmente lisos, e não retos, passando por estes procedimentos pra ficar com cabelos retos. Não lisos, retos.

Mas dane-se o cabelo delas, até aí não me incomoda a cabeça alheia. O problema é que virou mesmo uma ditadura, sem exagero algum quando a Márcia usou esse termo. Se você, mulher do século XXI, não tem cabelos extremamente lisos e com pontas retas, passa invariavelmente uma imagem de desleixo, o que é uma incorência sem tamanho do meu ponto de vista, já que cuidar de cabelos cacheados dá trocentas mil vezes mais trabalho que ceder aos cabelos retos, repito: não lisos, retos. Talvez seja por isso que a mulher moderna precisa de cabelos assim…

A questão é que estou considerando procurar um emprego do tipo que não se consegue passando em concurso público municipal de canto de roça, e levando em conta todas as vezes que escuto minha mãe me chamando de Simba e pessoas pela vida a fora comentando: “nossa, seu cabelo é volumoso/rebelde/desgrenhado, né?”, percebi que vou ser considerada “desleixada” por qualquer empresa na qual tente uma vaga a menos que “discipline” minhas madeichas.

Ah, vai, nem é tão desgrenhado assim…

Não é mole concorrer com a retidão capilar das moderninhas nas entrevistas. Tudo bem, Hakuna Matata é legal quando a gente é adolescente, mas uma hora a leoazinha aqui ia ter que virar gente grande, assumir responsabilidades, subir na pedra e dar o rugido, essas coisas…

Como boa aparência hoje é sinônimo de cabelos retos (não lisos, retos!), fui ao cabeleireiro e disse que queria dar uma “disciplinada” (quase podia ouvir “Another Brick in the Wall” enquanto dizia isso) nos cabelos, mas sem deixar totalmente liso, porque ainda não suporto as pontas retas. Ele disse que ia fazer uma cauterização. Tipo, cauterização que eu conheço é aquela que o médico faz quando a gente tem pereba na pele, mas como nunca tive que fazer uma antes, não consegui decidir se achava isso bom ou ruim. Eis que no meio do processo me senti magicamente teletransportada para as aulas de anatomia da faculdade.

- Oi? Tem formol nesse tróço?

- Tem sim, mas é só um pouquinho.

- É, imagino… por que será que não consigo manter meus olhos abertos então?

Não sei se formol é uma substância recorrente na vida da mulher moderna, mas decidida a me tornar uma, resolvi pagar pra ver. Paguei, e não gostei. Ficou exatamente igual a todas as pessoas que fazem qualquer uma das diversas escovas dos mais variados gêneros alimentícios oferecidos no mercado. Bixo, meu cabelo não é liso, muito menos reto, é uma questão de auto-imagem. Quando olhei o resultado final no espelho, me senti como se tivesse mudado de corpo, tipo se em um belo dia tivesse acordado negona, ou japonesa, sensação horrível de não mais ser.

- Que acontece se eu molhar o cabelo?

- Não pode, tem que ficar três dias sem lavar, se não perde o efeito.

- Ok.

Chegando em casa a caminho do banheiro e agradecendo por não ter passado pela escova inteligente:

- Nossa maninha, seu cabelo tá horrível.

- Eu sei.

- Penny sua doida! Que você tá fazendo?

- Consertando meu cabelo.

- Quanto foi que você gastou no salão? Você tá jogando dinheiro fora, isso sim!

- Oi? O dinheiro é meu, eu rrrrasgo se quiser.

O mundo ainda vai ter que conviver com meus cabelos de verdade, sinto muito.

Para ler ouvindo.

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Por que eu amo as calçadas de Cachoeiro…

Setembro 11, 2008 · 2 Comentários

- P*** que pariu, que b**** de calçada cheia de buraco! Essa p**** desse tróço quebrado aqui e ninguém conserta esse c******! Quase que quebro a perna nessa b****! Dá vontade de enfiar essa m**** dessa b***** cabeluda dessa pedra solta no c* de quem devia ter consertado esse c******, pra ver se ele acha gostoso e toma vergonha na ca… oops! Ô menino, não vai repetir nada do que eu falei aqui não, heim! Você não ouviu nada! Que você tá olhando com esse olhão arregalado aí pra mim? Pega aí seu carrinho do chão e vai brincar, vai!

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she tried to be like Amy Winehouse

Setembro 4, 2008 · 2 Comentários

- I said no, no no…

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Escola MSN de gramática, interpretação de texto e boas maneiras

Setembro 4, 2008 · 5 Comentários

“[a=28]:)antes de maguar alguem verifique se vc nao esta dentro dele..:P[/a]” has just signed in.

Ok, nada de falar que a garota está gorda enquanto estiver dentro dela.

Categorias: Oi?
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Sobre minha atual obsessão por estórias infantis

Setembro 2, 2008 · 2 Comentários

Ainda vai demorar pra chegar na locadora, porque nem saiu no cinema ainda, mas fica como dica de livro então:

Quero sessões com óculos 3D aqui na roça!

Categorias: Dica de locadora · Literatura
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Missão divina

Setembro 1, 2008 · Deixe um comentário

Estava eu no conforto do meu quarto me deliciando com uma garrafa de Bohemia e com o livro Stardust do Neil Gaiman quando dois gatos, daqueles que andam sobre duas patas, vestidos de forma muito estranha, batem à porta de casa. Fui lá ver do que se tratava, porque né? Não é todo dia que homem bonito aparece assim, livremente, do nada, nesses tempos de baixa oferta.

Em meio aos latidos insandecidos de Ringo e Frida, que tornam qualquer tipo de comunicação verbal impossível, consegui compreender que eram missionários (heim???) e que tinham marcado hora com meu pai (cuma???). Bixo, eu conheço meu pai, e tenho certeza que ele mandaria qualquer cervo do senhor que aparecesse por aqui ir pastar bem longe da nossa casa. Das três opções, uma:

1- Eles bateram na porta errada;

2 – São assaltantes disfarçados;

3 – Meu pai mandou eles pastarem e eles acharam que era brincadeira.

Liguei pro meu pai pra perguntar que raios era aquilo, e ele disse que tinha marcado sim com os caras porque eles foram muito educados e ficou sem-graça de ser ignorante com eles. Com o mundo como o conhecia ruindo sob meus pés e desabando sobre minha cabeça ao mesmo tempo, fui novamente em direção ao portão tentando me decidir se convidava os dois a entrar e esperar meu pai que estava saindo do supermercado, ou se pedia para voltarem daqui uns minutos, porque não tem coisa que me irrita mais que gente tentando me converter e se meu pai acha que consegue passar por isso só porque os caras são educados, azar o dele.

Bêbada como já estava, quando cheguei no portão e vi aqueles dois rostinhos lindos e sorridentes, eu acabei convidando eles a entrar, convencida de que talvez eu pudesse converte-los. Meu, você sabe que está no fundo do poço quando convida dois missionários pra entrar na sua casa só porque eles são gatos…

Aí que tive que prender os cachorros no quarto da minha mãe, aquela luta de sempre. Não tinha nada pra oferecer pros caras, nem café, só cerveja e água. Acreditando que pessoas que se vestem daquela forma não bebem em serviço (se é que dá pra considerar que ser missionário é um serviço), ofereci só água mesmo.

Eles começaram a falar sobre a missão deles e que um era de São Paulo, o outro da Califórnia, que nos cultos das igrejas deles tinham reuniões separadas pra homens e pra mulheres, onde eles ensinavam, respectivamente, como ser bons maridos e boas esposas. Perguntei se ensinavam a lavar, passar e cozinhar e eles sorriram de uma forma sem-graça que indicava que era mais ou menos isso mesmo que rolava.

Meu pai chegou, eles continuaram explicando e eu não entendia bulhufas. Meu pai ficava fazendo perguntas pro americano só pra ouvir ele falar com dificuldade o portunhol com sotaque mais estranho que já ouvi na vida, e eu, bêbada, ficava me segurando pra não rir.

Eles explicaram basicamente que o fundador da igreja deles tinha mãe de uma religião e pai de outra. Aí o moleque com 14 anos de idade resolveu subir num monte (por que as pessoas sobem em montes quando querem conversar com deus eu nunca entendi…) e perguntou pra deus que religião ele deveria seguir. Aí, diz ele, que desceu duas figuras brilhantes do céu e que uma era deus e outra, Jesus. O engraçado é que tem cristão que já me garantiu que os dois são a mesma pessoa, mas whatever… Aí as tais figuras purpurinadas disseram pro moleque que nenhuma religião da Terra está próxima deles. Até aí achei super bacana, mas imagino qual a decepção dessas figuras ao descobrirem anos depois que este mesmo moleque pegou essa informação como desculpa para criar uma nova religião, como se o mundo precisasse de mais uma…

Por mais que não dê pra saber até onde o cara conversou com deus ou com os miolos dele, e por mais que a conversa que ele divulgou e as atitudes por ele tomadas sejam incoerentes, tem uma galera mundo afora seguindo o cara:

- Nós temos templos em vários países e coisas muito sagradas acontecem lá. Aqui no Espírito Santo não temos templo, só igrejas, mas os templos são muito sagrados, coisas muito sagradas acontecem lá. Eu aconselho a vocês irem um dia em algum dos templos, porque coisas muito sagradas acontecem lá. Quando eu fui pela primeira vez… nossa! Coisas muito sagradas acontecem lá. Se vocês tiverem interesse, tem sempre viagens sendo organizadas aqui pra ir nos templos e…

- Coisas muito sagradas acontecem lá?

- Sim! Coisas muito sagradas acontecem lá!

Só sei que não consegui converter os caras, e eles tampouco conseguiram me converter, zero a zero. Mas eles deixaram uns livrinhos aqui dizendo que era pra gente ajoelhar e rezar que iríamos ter um sinal divino.

Eles foram embora e quando abri a porta do quarto pra libertar os cachorros só consegui dar um berro. Meu, só pode ser castigo por eu tentar levar os caras pro mau caminho. Os vira-latas filhos de uma puta poodle rasgaram as almofadas da minha mãe e tinha espuma pelo quarto inteeeeiro! Como se não bastasse ainda mijaram em cima, pra espuma não ser re-aproveitada. Meu pai enquanto limpava a bagunça comigo:

- É filha, bem que os caras disseram que a gente ia ter um sinal divino. Deus fez a gente ajoelhar de qualquer jeito.

UPDATE: Pra ler ouvindo. Vídeo indicado por Skywalker.

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