Meu conceito de Rio de Janeiro é formado pelas novelas de Manoel Carlos, tanto que até pouco tempo eu achava que lá só existia o Leblon e as comunidades do núcleo pobre da cidade. Foi por isso que quando fui ao Rio visitar Pedro e Lorena, no ano passado, fiz questão de passear pelo Leblon acompanhada dos dois cantando o tema de abertuda de Mulheres Apaixonadas.
Dessa vez eu fui novamente visitar o Pedro e resolvi ir além nos cenários de novela. Fui passear onde todas as tramas do Maneco terminam: no Parque Jardim Botânico. Abro aqui um parêntese pra dizer que Pedro é a criatura mais sociável do mundo. Ele tem a capacidade de conversar com todo e qualquer ser falante, ou não, que encontra pelo caminho. Nesse dia então, ele estava exaltado, conversava até com os peixes do laguinho, e graças a isso conhecemos várias pessoas, entre visitantes e trabalhadores do parque. Fecha aqui o parêntese.
Aí que andando pra lá, passeando pra cá, tirando foto aqui e ali, deparamo-nos com uma cena bucólica, digna de final de novela da Globo: duas “senhôuras” de chapéu, sentadas num banco no parque embaixo de uma árvore com um bebê. A cena era realmente bonita: os chapéus eram de tons claros, assim como as roupas, e casavam muito bem com o banco, as árvores e o bebê. Falando assim parece não ter nada demais, mas a cena era tão bonita, tão fim de novela, que Pedro queria tirar uma foto, ou mesmo pedir os chapéus e o bebê emprestados para tirar uma foto nossa na mesma cena.
Meu bom-senso, claro, fez eu recusar-me terminantemente a bater a foto das “senhôuras” e eternizar a cena, porque vai que elas não gostassem? Completa idéia de jirico essa… Mas concordei que pedir os chapéus e o bebê emprestados pra tirar uma foto nossa era genial!
Fomos em direção às damas de chapéu, contando com a simpatia e comunicabilidade de Pedro, com câmera fotográfica em punho, já estudando a iluminação, quando uma delas levantou os olhos e pudemos ver para além do chapéu. Por um momento tive o vislumbre mitológico de um basilisco enfurecido tentando me matar, mas segundos depois, percebi que não estava morta e, portanto, não se tratava de um basilisco, mas sim de ninguém menos que Fernanda Torres, acompanhada de seu filhinho e de sua mamãe, Fernanda Montenegro.
Véi, a Fernanda Montenegro estava na minha frente, e eu… passei. Desviei e passei por elas na maior, sem nem falar um “oi” e agradecendo por estar viva, porque a Fernanda Torres olhou pra gente com uma cara tão feia, mas tão feia, não que eu já tivesse achado a cara dela bonita alguma vez, mas o olhar foi tão maléfico, que se olhar matasse fora da mitologia eu não estaria aqui para escrever essas linhas. Parafraseando Regina Duarte: “Tenho medo!”
Meu grande arrependimento foi de não ter chegado perto dela e soltado com cara de desdém:
- Ah! É você? Deixa pra lá então…
Porque, oi? Foto sua com esse chapéu é o que não falta no Google Imagens.
Conversa após o olhar:
- Puxa, Penny, que medo! O pior é que eu gostava da Fernanda Torres. Ela parecia tão simpática pela TV…
- Pedro, com exceção da Luana Piovani e da Carolina Dieckmann, todo mundo parece simpático pela TV.
Pra ler ouvindo.



