Penny Lane Blog

Diário de uma candidata a condutora

Novembro 6, 2008 · 4 Comentários

Depois do infeliz incidente com o Hospital Luterano*, fiquei pensando que se existisse realmente a vaga de emprego eu teria um sério problema para me deslocar de um trabalho a outro em tempo hábil com os horários super-bacanas de ônibus em Cachoeiro. Percebi com vergonha que sou uma das duas únicas pessoas de vinte e poucos anos desta cidade que ainda não dispõe de porte de arma carteira de motorista (a outra pessoa é a Lorena). Tenho até uma justificativa pra isso: não tenho carro, nem recursos financeiros pra comprar um. Mas como também descobri recentemente que ano que vem a carteira vai custar o dobro do preço, resolvi me candidatar em uma auto-escola (e, é claro, convidei a Lorena pra fazer isso comigo pra não passar vergonha como única tia na turma de pirralhos). O trânsito de Cachoeiro nunca mais será o mesmo.

O meu maior medo em termos de CNH, por mais bizarro que isto possa parecer vindo de uma psicóloga, é o exame psicotécnico. Digo isso porque conheço os testes e porque também me conheço: fiquei reprovada em um deles durante a graduação. É, eu sou um pouco mais distraída que a maioria, quem já viu sabe. Se tivesse como, e eu acreditava que tinha quando abri o processo, deixaria pra fazer isso depois das aulas, mas infelizmente mudaram as regras e antes de começar com as aulas teóricas, sabe-se lá por que, agora precisa ter o resultado do psicotécnico. Sem entender o motivo disso, fui morrendo de medo fazer aqueles desenhos e marcar setinhas e, pelo pouco que conheço dos testes, posso dizer que passei de raspão. Posso dizer também que acredito que não passaria se não conhecesse os testes.

Bem mais aliviada com meu resultado positivo, mas ainda sem entender por que fui obrigada a passar pelo psicotécnico antes de tudo, fui para a sala de aula de uma auto-escola, que não é igreja do Edir Macedo, mas digamos que abrange todo o Universo. Tomei banho antes de sair de casa, fui cheirosinha, limpinha e ao entrar na sala… puta merda! “Smells like tenda espírita”, palavras de Lorena e não pude encontrar melhores para descrever. Uma catinga de ferrugem misturada àquele cecê e suor de ontem que dava náuseas. O professor, indiferente à inhaca que perturbava nossos delicados narizes, ligou a TV pra passar uma fita cassete (FITA CASSETE!!!!!) super atual e animada. Eu, com meu déficit de atenção, só conseguia me concentrar, além da catinga, na trilha sonora do vídeo: música de vilã de novela da Globo da década de 80, quando passavam coisas proibidas; e música de desenho animado da década de 70, quando passavam coisas permitidas. Naquele momento descobri por que agora é obrigatório passar pelo psicotécnico antes: alguém com TDA não aguentaria aquilo! O verdadeiro teste de atenção estava apenas começando…

Pra ler ouvindo: Centro do Pica-Pau Amarelo, do álbum Smells Like Tenda Espírita.

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4 respostas Até agora ↓

  • João // Novembro 9, 2008 às 2:26 am | Responder

    Os psicotécnicos costumam dar resultados tão incoerentes como os testes de q.i.?

  • Penny // Novembro 10, 2008 às 4:26 am | Responder

    não conheço a lógica dos testes de q.i., mas a maioria dos testes psicológicos que eu estudei na faculdade são coerentes sim, desde que usados corretamente.

  • Bromidose « Penny Lane Blog // Novembro 12, 2008 às 8:50 am | Responder

    [...] haja bactéria sendo decomposta! Descobrimos o responsável pelo constante clima de “Tenda Espírita” na sala de aula. Foi-se o tempo em que alunos levavam maçãs para colocar sobre a mesa de seus [...]

  • cIL // Janeiro 7, 2009 às 11:00 am | Responder

    Oi, estou nessa também. Reprovei no psicodélico legal. Amanhã vou refazer… e o pior é que eu não sei em quê eu reprovei, embora eu ache que tenha sido nos tais tracinhos. Eu tenho por hábito desenhar pessoas como bonequinhos, como aqueles que agente como crianças, confesso que se não tivesse estudado, ia ser taxada de psicótica no psicotécnico! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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