Meu pai era fotógrafo e eu costumava acompanhá-lo como ajudante em casamentos e aniversários pela vida afora. Já perdi a conta dos casamentos que fui com ele, perdi a conta das noivas que vi entrando ao som da Marcha Nupcial, perdi a conta dos vestidos brancos, dos véus e dos buquets. Também perdi a conta das trapalhadas que protagonizei nessas ocasiões, como da vez em que derrubei um arranjo de flores enorme durante a entrada da noiva ou quando tropecei nos fios do refletor da câmera quase derrubando tudo no chão.
Mas no sábado pela primeira vez meus olhos encheram d’água com essa cena, que já perdi a conta de quantas vezes vi, mas era inédita por um simples detalhe que, pra mim, fazia toda a diferença: a noiva era uma das minhas grandes amigas. A primeira das grandes amigas que vi entrar na igreja.
Provavelmente esse detalhe não só foi responsável por meus olhos encherem d’água em diversos momentos da cerimônia, como também por eu ter a certeza de que Juliana era a noiva mais linda que já vi na vida. A noiva mais linda com o casamento mais perfeito, que não foi atrapalhado nem pelas minhas trapalhadas (inevitáveis) de esquecer que eu iria ler as preces, deixar um vacuo no meio da cerimônia com os noivos me procurando e perguntando por mim para os padrinhos até que o padre chamou meu nome no microfone e eu saí desembestada quase derrubando violinistas no caminho…
Enfim, era um vestido branco, um véu e um buquet de rosas lilás (que eu levei pra casa e sem precisar bater em ninguém, diga-se de passagem
). Nada especial? Nada demais? Dá licensa, era uma amiga minha! Especial demais….

Palm Islands
Eu em trajes típicos. Burca estampada é a última moda nos Emirados Árabes.