Penny Lane Blog

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Medo medido e comedido

Julho 27, 2009 · 8 Comentários

Quando eu era criança morria de medo de folia de reis. Isso porque meu pai me dizia que palhaço de folia bate em crianças, uma das muitas  caraminholas que me enfiaram na cabeça naquela época e que acabam por fazer parte de mim até hoje.

Meu tio avô já foi palhaço de folia e eu tinha muito medo dele também. Esses dias reencontrei tio Ninim, como é chamado. Engraçado, alegre e afetuoso como poucos neste mundo. Eu o fiz cantar  vários versos da sua folia, que ainda sai pelas ruas até hoje. É engraçado pensar que durante tanto tempo tive medo de uma criatura tão adorável.

Hoje adoro a folia, mas ainda tenho um medinho. Não o medo pavoroso de antes, mas o medinho gostoso de sentir, com gostinho de infância, cheiro de ameixa fresca e gosto de banana amassadinha com geléia de mocotó. Aquele medinho que a gente busca, do frio na barriga e o trimilique que  faz saltar quando um tambor soa alto pertinho da gente. Medinho gostoso, como medo do loop da montanha russa, de andar a mais de 100 km/h na garupa da moto com os braços abertos, ou de encostar naquela pessoa que a gente admira de longe.

Sei que medo não devia ser gostoso, mas essa sensação que deveria repelir acaba atraindo. Sei que o palhaço me dá medo, mas me atrai. Toca o tambor e começa os versos que lá vou eu atrás…

Minha mãe diz que é coragem que eu tenho. Coragem de mudar com uma mão na frente e outra atrás pra uma cidade onde não conheço ninguém, coragem de assumir riscos, de colocar a cara na reta pra separar briga… Coragem eu tenho muita mesmo, mas pra mim, ir atrás do palhaço não é coragem não, é medo mesmo. Medo de não sentir mais o medo e não sentir mais nada. Medo que faz eu ir lá de pertinho pra testar se ainda tenho medo. Vou atrás do palhaço, sinto o frio na barriga e sei que ainda estou viva, como estava quando era criança. Aí o medinho gostoso, já velho e conhecido, com cara de nostalgia, faz eu me sentir protegida.

foliaEu indo atrás do Palhaço. Foto by Nat

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Notícia

Junho 2, 2009 · 3 Comentários

Paaam-pam-pam-paam-paaaaam-pam-pam-pam-paaam!

vião

Monsieur Brousse, eu tenho outra hipótese…

bost

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Beirut

Março 2, 2009 · 4 Comentários

Esse não é um post engraçado, é um post de reflexão sobre a vida, o universo, as músicas e tudo o mais.

Sexta-feira um amigo me perguntou qual a minha banda favorita e achei uma pergunta tão estranha de se ouvir. Eu mudo de músico favorito como uma cantora pop muda de roupa durante o show. Descubro uma coisa legal e ouço o dia inteiro, deixo todo mundo à minha volta de saco cheio, até descobrir outra coisa legal pra ficar ouvindo o dia inteiro e assim por diante. Tenho músicos favoritos por semana. Semana passada era a Paz Lenchantin, retrasada era o The Black Crowes, há algumas semanas era a Emilie Simon, há mais algumas semanas era o Simone Cristicchi, alguns vêm e voltam, mas nessa sexta-feira, quando ele perguntou, eu não sabia responder.

Há uns dois anos atrás, quando eu ainda morava em Vitória, achei no youtube um vídeo da Rachel Brice (que até o momento ainda é minha dançarina favorita, pois não sou tão volúvel com dançarinos quanto com músicos) dançando uma música que achei a coisa mais linda do mundo, mas não sabia identificar que estilo era aquele e de que país era. Também não tinha, na época, nenhuma pista de como descobrir, porque não dava pra entender bulhufas do que o cara tava cantando. Como já prevê as Leis de Murphy, agora que não preciso mais, eles colocaram o nome da música lá, mas enfim… Quando não tinha como saber, baixei o vídeo e toda vez que tinha vontade de escutar a música eu deixava rolar.

No final do ano passado, quando tava passando a série Capitu na Globo, minha cunhada me falou pra baixar as músicas de um tal de Beirut porque eu ia gostar. Nunca dou ouvidos quando alguém fala pra eu assistir tal filme ou baixar tal CD, ou ver tal série “porque você vai gostar”. Geralmente eu me arrependo depois de não ter dado ouvidos, mas não sei porque, talvez por um orgulho besta, nunca dou crédito quando alguém usa essa frase, tipo, “essa pessoa acha mesmo que me conhece tanto assim pra saber do que eu vou gostar? Eu heim, até parece…”

Mas enfim, esses dias eu voltei a fazer aula de dança e fiquei assistindo aquele vídeo da Rachel Brice e pensando que gostaria de encontrar outras músicas daquele mesmo estilo pra poder dançar. Foi quando ontem eu não tinha mais o que fazer e resolvi fuçar no orkut e acabei entrando no perfil de uma garota que usava uma roupa muito bonita pra tentar ver melhor o modelo e vi que ela tinha colocado uma música do tal do Beirut lá, que parece que todo mundo já tinha escutado, graças à série Capitu, menos eu. Como não estava fazendo nada memso, cliquei pra ouvir a música e mal pude acreditar. Era não só do mesmo estilo, mas do mesmo músico que cantava a música que eu estava procurando há cerca de 2 anos! E era ainda mais bonita que a música que a Rachel dançava! Só conseguia pensar que sou muito cagona mesmo, as coisas batem na minha porta e mesmo quando não atendo elas isistem batendo na janela. Deu até vontade de chorar ouvindo a música, de raiva inclusive, por não ter escutado minha cunhada antes. Aí pronto, não paro mais de escutar e se alguém me perguntar agora qual a minha banda favoria vou responder sem pestanejar que Beirut é a do momento, com a música mais bonita e com a voz mais bonita de todas. De pensar que o desgraçado do moleque devia ter só uns 19 anos quando fez isso…

Mas enfim, só to escrevendo pra dizer que não desistam de mim. Prometo que de agora em diante sempre vou (tentar) acreditar quando alguém disser “Olha isso aqui! Tenho certeza que você vai gostar!” Ai… será que vou mesmo? Só de pensar nessa frase dá náuseas… Por via das dúvidas, dá pra tentar outra forma de me dizer isso?

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Sapatos no Bush!!!

Dezembro 16, 2008 · 3 Comentários

Pelo que passou no Jornal Nacional de hoje, parece que o então presidente americano ainda declarou depois do ocorrido que o incidente dos sapatos não representa o sentimento da população iraquiana. Claro que não! Representa o sentimento da população mundial! Será que ele entendeu que foi uma agressão?

Alguém me passa o contato desse jornalista porque eu quero casar com ele! Percebi, que tudo o que sempre sonhei na vida era atirar sapatos contra o Bush, mas infelizmente também percebi que provavelmente nunca terei esta oportunidade, então vou me contentar jogando sapatos virtuais.

Mas sério, esse cara mudou minha visão de mundo. Amanhã mesmo começarei uma revolução pessoal! Da próxima vez que encontrar um daqueles políticos safados andando pela rua: sapato nele! Quando minha chefe fizer comentários irônicos ao meu respeito em público novamente: sapato nela! Quando for mal atendida nas lojas da Glória pelos vendedores: chuva de sapatos voadores!

Agora a revelação mais bombástica, intrigante, relevante e de maior impacto, pra mostrar que tudo na vida, no Universo e em tudo o mais tem sentido:

sapatos42

Eu já sabia! Que outro número haveria de ser? Pra quem não entende nada de sentido da vida, melhor assistir:

Vou dormir essa noite pensando nas pessoas em quem eu jogaria meus sapatos…

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Pensamento do dia:

Dezembro 13, 2008 · Deixe um comentário

Crise? Que nada! Se o Corinthians comprou o Ronaldo você também pode comprar uma máquina de lavar, um carro novo, ou roupas super-bacanas na Hot Paradise do Shopping Cachoeiro pra dar de presente nesse Natal!

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C’est la vie

Julho 3, 2008 · 8 Comentários

Hoje acordei de mau humor porque a vida insiste em não ser perfeita. Tipo, ela poderia ser como uma eterna festa de formatura no Le Buffet: Todos bonitos, bêbados, empanturrados de comida japonesa e dizendo: “Po, eu te amo, cara! De verdade!” pra todo mundo. Mas não. Ela é um produto com defeitos de fabricação irremediáveis, cheia comida ruim e pessoas feias e sóbrias que gostam de falar coisas desagradáveis, porque também estão insatisfeitas com seus produtos. Me sinto enganada e ferida em meus direitos pelo fabricante e quero saber onde foi parar a maldita embalagem com o telefone do SAC pra eu reclamar. Quero meu dinheiro de volta, e quero agora! Se eu pego o responsável por isso é bom ele ter plano de saúde e seguro de vida. Ops… seguro de vida? De que tipo de vida? Dessa mesma com defeitos de fabricação irremediáveis que eu tenho? Hum… Acho que ele não iria adquirir uma…

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Inveja

Julho 3, 2008 · 2 Comentários

Sempre invejei, mesmo que sem querer, uma amiga que tinha um emprego razoável na cidade que eu amo. Hoje ela me ligou dizendo que foi demitida sem aviso prévio. Eu, que sou funcionária efetiva de um município révi razoável, decidi nunca mais invejar ninguém.

Pensando bem… acho que vou descobrir qual o atual emprego da baranga parruda e burra que roubou meu sorvete na saída da escola quando eu estava na segunda série e sentir inveja dela…

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Coerência alimentar

Junho 20, 2008 · 6 Comentários

O Kadu me elogiou no blog dele e eu fui lá ver o texto toda boba, porque bobeira é o meu forte mesmo. Aproveitei pra ler os outros textos também e achei um que ia comentar, mas como não perco oportunidade de encher linguiça aqui o comentário tava ficando grande, decidi fazer um post. Eis o texto:

[Frases] É descobri que Deus é sábio!

Eu nunca acreditei muito em Deus e nos dogmas religiosos, mas depois de ver esta frase comecei a rever alguns conceitos.
Deus é bem mais sábio do que imaginei!

“Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação” – Levítico 18:22

Ou seja, deus é contra a viadagemo homossexualismo, cara esperto!

Olha, eu entendo dessas coisas menos ainda que o Kadu, mas depois que publiquei o meu incidente com um judeu e uns pasteizinhos de porco, a Lorena, sempre muito atenta e culta, me deu uma aulinha sobre crenças abraãmicas, tentando me explicar porque judeus não podem comer certos alimentos. To comentando isso porque o que ela leu pra me explicar foi exatamente um texto do mesmo Levítico da bíblia dos católicos (nem sei se tem diferença de religião pra religião) e ele usa da mesma coerência em ambas as proibições. Nunca vou me esquecer desse nome – Levítico – porque fiquei me perguntando se tinha algo a ver com levitação ou se consistia em uma forma arcaica de artigo de revista feminina ensinando a ter uma “alimentação leve”.

Aí que o tal do Levítico, além de falar que homem que é homem, não come outro homem, como aponta o Kadu, diz também que não pode comer porco, nem camelo (alguém aí já comeu um camelo?) e nem lebre, porque a regra é clara: animais que têm a unha fedida fendida e não ruminam, ou que ruminam e não têm a unha fendida, são impuros e imundos. Se ele ruminar e também tiver unha fendida, aí tá beleza, pode comer sem peso na consciência que é limpinho. Finalmente descobri porque algumas fêmeas – principalmente as humanas, que não ruminam – ficam tão desesperadas ao fender uma unha. Por isso, se você é cristão, ou judeu, ou muçulmano, nunca se esqueça de levar seu(a) parceiro(a) para jantar e de verificar as unhas dele(a) antes de partir pra fight.

Mas não é só isso: depois dessa definição para mamíferos, Levítico segue com uma série de proibições, igualmente coerentes, para animais aquáticos, aves, insetos e anfíbios, que me fizeram pensar que o cara só pode ser o precursor da cultura vegan. A galera do PETA deve adorar ele.

Fiquei ruminando refletindo sobre a lógica dessas regras e cheguei à conclusão de que isso só pode ser mesmo fruto de uma mente superior e que não adianta tentar entender, pois está além da minha capacidade de compreensão. Acabei chegando a esta conclusão enquanto brigava com meus cachorros, que parecem incapazes de compreender a lógica por trás das regras alimentares que imponho a eles:

- Frida, o que você tá comendo aí? É cocô? Ah tá, soldadinho de plástico pode comer, ração e terra também, mas cocô não pode! É imundo!

- Ringo, não pode pegar papel higiênico da lixeira! É imundo! Pega o do rolo que tá limpinho.

- Ei, devolve o meu sapato agora, seu estrupício! Não pode! Come o Adidas do Renan, esse pode comer.

UPDATE: Antes que alguém venha me criticar e dizer que vou pro inferno, dá uma lidinha lá no Levítico pra se certificar de que está tendo uma alimentação correta – também é proibido o consumo de cerveja e vinho, mas acho que a vodka é liberada – e certifique-se também de que seu cordeiro, seu bezerro e seu bode foram queimados corretamente sobre o altar, segundo as instruções de sacrifício. Se eu vou, vamos todos nos encontrar lá…

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Mundo animal

Junho 18, 2008 · 3 Comentários

gato

- Cara, esse gato tem problema…

- Sim, ele é vesgo.

- Não, não é só isso. Ele tem problemas psicológicos.

- Cuida dele então, uai.

- Eu to tentando, né?! Mas digamos que animais fóbicos não são lá minha especialidade… Poxa… fico incomodada com ele… Isso é muito triste… Como é que pode uma criatura passar o dia inteiro escondida em uma gaveta, sem querer sair, sem querer ver o mundo?

- Penny, você também vive em uma gaveta. Só que a sua é um pouquinho maior.

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Ai minha escova…

Abril 24, 2008 · 10 Comentários

Tava lendo no blog da Márcia (que ela finalmente atualizou) sobre a revolta dela com essa onda (ou ausência de ondas) de escova nos salões de beleza. Tentei comentar lá, mas vai saber porque, não consegui, aí tive a idéia de fazer um post comentando, já que estou precisando encher lingüiça aqui no blog com uma certa urgência se trata de um assunto de extrema relevância.

O que sempre me intrigou nessa história de escova não era a moda dos cabelos lisos e sim a tendência de misturar a parada com comida. Lembro que isso começou com a escova de chocolate, que me deixou um pouco confusa com o incentivo à tricotilomania. Depois veio a de baunilha, a de abacaxi e de todos os outros sabores que a gente encontra em sorveterias (to procurando um salão que faça escova com sabor de “bosque nevado” ou “orvalho”, quem souber, manda aê o contato!).

Aí uma amiga estava me falando, há umas semanas atrás, que essa coisa de cabelo com cheiro de comida é passado. A tendência agora é a tal da “Escova Inteligente”. Fiquei me perguntando se os produtos são a base de neurônios, se eles usam dentritos e axônios pra fabricar as cerdas da escova, se o cabebeleiro entrega um livro de Nietzsche pra cliente ler fazendo um ar blasé, no lugar da revista CARAS, enquanto ele trabalha (se ela conseguir soletrar o nome do autor depois da escova, significa que o trabalho ficou bom), ou se você sai de lá com o cabelo piscando, como se estivesse fazendo sinapses. Pensei ainda que se essa escova conseguisse fazer os cabelos sairem do salão pensando, o cara que a desenvolveu merecia o Prêmio Nobel por salvar a humanidade! Se a cabeça não pensa, que pensem os cabelos pelo menos. Já estava listando várias pessoas pra indicar esse método revolucionário, mas perguntei pra Deus e ele disse que não era nada daquilo e que o método deveria se chamar “Escova Impaciente”, na verdade.

Sei não, ainda aposto na onda dos cabelos que cheiram a comida. Tipo, se dona de pastelaria fosse eu, abriria um salão conjugado e lançaria a “Escova Pastel”. Idéia muito prática e lucrativa: você coloca sua cliente pra fritar uns 20 pastéis, sem suggar, pra você vender enquanto estica o cabelo dela. Você lucra com dois negócios pelo trabalho de um e sai todo mundo feliz. Pronto! Já dei a dica! Agora vamu aguardar pra ver se alguém compra a idéia e vira tendência.

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